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Bloco das Carmelitas

Por onde vamos? Na sexta-feira de carnaval, a concentração acontece na esquina de Ladeira de Santa Teresa com Rua Dias de Barros. O bloco vai até o Largo do Guimarães. Na terça-feira de carnaval (12/02), acontece a volta do bloco. O Carmelitas sai dos Largo do Guimarães e vai até o Largo do Curvelo.

Santa Teresa.

08 de fevereiro (sexta-feira de Carnaval) e 12 de fevereiro ( terça-feira de Carnaval).

O Carmelitas não divulga o horário do desfile.

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Cores: Verde, amarelo, vermelho e azul.

O Bloco das Carmelitas começou a ocupar as ruas de Santa Teresa em 1990. Em agosto do mesmo ano, um grupo de peladeiros, que jogava futebol onde hoje é o Parque das Ruínas e tomava cerveja onde até hoje funciona o Bar do Serginho, bebeu um pouco demais e resolveu criar um bloco.

“Vagabundos e altaneiros”, como os definiu Chacal em um programa que fez para a TVE, os craques e pernas-de-pau não esperaram nem o Carnaval do ano seguinte para botar o bloco na rua. Assim, em agosto de 1990 surgiu o Bloco das Carmelitas, na Rua Dias de Barros, Santa Teresa.

Além do futebol, da cerveja e do samba, o amor ao bairro unia os fundadores do bloco. Por isso, quando precisaram escolher um nome para o bloco pensaram logo em Santa Teresa. Mas vejam: não era uma associação de classe ou uma agremiação política; era um bloco. E bloco sem irreverência é melhor nem sair. Assim, um dos mais criativos entre os peladeiros falou que viu uma freira pular o muro do convento para brincar o Carnaval, história que pareceu verossímil para todos em volta da mesa.

Daí o nome Bloco das Carmelitas, no plural porque não se podia deixar a freira foliar sozinha e ser rapidamente reconhecida. Por uma questão de solidariedade (ou pra “deschavar”, como se fala hoje), todos aderiram ao veuzinho. Chacal também explica por que o bloco sai na sexta-feira antes do Carnaval em um sentido e volta na terça-feira gorda no sentido oposto: a irmã precisa voltar para o convento!

Alejandros, Fátimas, Fernandos, Cristinas, Ulisses, Zulus, Anas, Paulões e tantos outros fundaram o Bloco das Carmelitas.

Além da irreverência, sua principal característica é aliar farra à cultura. Assim, os ensaios já foram animados por palhaços e teatro de bonecos, os desfiles já incluíram bonecos de Maria Louca e Manuel Bandeira. Além da beleza do bairro e da simpatia dos componentes, talvez seja isso que torna o bloco tão charmoso.

Ao longo desses anos, muitas pessoas já ajudaram a botar o bloco na rua. Hoje, a direção é composta por Alvanísio Damasceno, Cleide Barcelos, Daniel Cahill, José Paulo Pessoa, Paulo Saad, Rasec Tosan e Renan Cepeda. Mas há pelo menos dez outras pessoas que ajudam a torná-lo bonito e alegre. Vamos a outras pessoas de destaque: entre os que já se foram, não podemos esquecer do Celinho dos Prazeres, Robertinho dos Anjos e Tio Doca, compositores, e Tia Zilda, cantora.

Entre os que ainda irão foliar no Carnaval carioca, comecemos pelo diretor de bateria, “o coração do bloco”: Mestre Folia, um dos melhores da cidade. Entre os compositores, destacam-se os campeoníssimos (cada um com três sambas campeões) Beto Monteiro e Kelson Montanha, Emanuel Santos e Panela di Barro e Fernando Pena. Destaque absoluto (vai no carro de som) para o intérprete: Job Menezes. Originário do Morro dos Prazeres, Santa Teresa, Job teve que se afastar da cidade e foi inicialmente morar em Cuiabá, Mato Grosso, e depois em Vitória, Espírito Santo. Seja em Vitória ou em Cuiabá, todos os anos o bloco vai buscá-lo para ele puxar/interpretar o samba campeão, qualquer que seja o vencedor do concurso.

Outro destaque no bloco é Dona Didi. Moradora do Curvelo, ela é a mais idosa e a mais animada das freirinhas. Seria a Madre Superiora, mas, assanhada como é, não se contenta com menos do que o título de Rainha do Carmelitas.

Em 2009, os foliões tiveram uma surpresa. O artista gráfico Marcelo Vianna, conhecido como Mano, decidiu inovar e estampar no novo uniforme uma carmelita negra. O modelo é símbolo da alegria do Carmelitas, assim como as do passado, assinadas por Patrícia Brasil, Aliedo, Cássio Loredano, Amorim, Bob Siqueira, Vanda Martins, Dionísio, Jorge Crespo, Roland, Márcia Cisneiros, Selarón, Rosane Naccarato, Rasec e Fragoso, entre outros.

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samba

PARA ONDE VAI ESSE BONDE?

Luiz Fernando e Luiza Fernanda

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Matar aquela saudade

Do bonde de verdade,

Do seu Nelson Motorneiro.

O meu Rio de Janeiro

Já não é o mesmo, é surreal

Neste carnaval,

O povo na rua exige respeito.

Há tempos eu pergunto,

Mas ninguém me responde:

Pra onde vai esse bonde?

O bonde voltou,

Mas não serve pra mim…

Sou carioca, sim, eu sou de Santa!

Será que esse bonde é só pra gringo ver?

Estou cansado de me… conformar (laraiá)

A carne moída

Já fez deputado subir na vida.

O ônibus sem ar encareceu.

A decência desapareceu.

Vesti o véu, subi no estribo,

Só pra cantar com minha tribo.

O bonde chamado Brasil, pra onde vai?

“Quem é essa aí, papai?”

Ela é Carmelita,

A freira mais bonita,

Eterna musa do meu coração.

Minha paixão é Santa Teresa,

Lugar de arte, boemia e natureza.

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personalidades e causos

Um dos mais entusiasmados com a farra, Jorge Crespo, resolveu criar uma boneca, representando a freira foliã. E assim foi feito. A boneca ficou linda, mas como nem Cristo conseguiu agradar a todo mundo, a Cúria parece não ter gostado muito da brincadeira e, na primeira oportunidade que teve, mandou prender a bone... ler mais

Um dos mais entusiasmados com a farra, Jorge Crespo, resolveu criar uma boneca, representando a freira foliã. E assim foi feito. A boneca ficou linda, mas como nem Cristo conseguiu agradar a todo mundo, a Cúria parece não ter gostado muito da brincadeira e, na primeira oportunidade que teve, mandou prender a boneca. E assim também foi feito. A boneca acabou na 7ª DP. Sorte que entre os foliões havia advogados sérios que, com a habilidade peculiar da categoria, obtiveram o habeas-corpus da boneca. Quando a boneca foi libertada, o bloco já estava na rua. A chegada dela ao cortejo foi apoteótica. Quem estava lá jamais esqueceu.